Como escrever números por extenso.
O guia completo: quando usar letras ou algarismos, o «e» da norma culta, «cem» ou «cento», a escala curta (bilhão = 10⁹) e as concordâncias, com uma tabela do 0 ao 100 e exemplos.
Equipe numerosaletras · Atualizado 15 de junho de 2026 · 11 min de leitura
O que você vai aprender
- ▸Quando os números vão por extenso e quando em algarismos.
- ▸Como se formam: de 16 a 19, de 20 em diante e a concordância.
- ▸A diferença entre «cem» e «cento» e onde entra o «e».
- ▸Quanto é um bilhão em português (escala curta).
- ▸Uma tabela do 0 ao 100 e os casos especiais (decimais, datas, frações…).
01 · resposta rápida
A regra geral, numa frase.
Escrevem-se por extenso os números que cabem em poucas palavras e os que abrem uma frase; com algarismos, os grandes, técnicos e os códigos.
A partir dessa regra constrói-se todo o resto: como se combinam dezenas e unidades, quando se diz «cem» ou «cento», onde entra o «e» e como concordam em gênero. Se você só precisa do resultado para um valor concreto, o conversor de número por extenso escreve na hora; se quer entender as regras, continue lendo. Em português não há uma «RAE», mas a norma culta e o VOLP orientam essas grafias de forma consistente. Ao longo do guia, cada regra vem com exemplos e, no fim, uma tabela do 0 ao 100 para consultar de relance.
02 · letras ou algarismos
Quando por extenso e quando em algarismos?
A escolha depende do tipo de texto, do tamanho do número e do contexto. Não há obrigação rígida, mas há orientações claras que deixam o texto mais legível e coerente. Há ainda uma regra de estilo útil: no começo de uma frase, o número vai por extenso mesmo que seja longo, ou reescreve-se a frase para não começar com um algarismo.
▸ por extenso
Números que cabem em poucas palavras, os que iniciam frase e, em textos literários ou formais, as quantias pequenas.
▸ com algarismos
Números grandes, de textos técnicos ou científicos, e todas as porcentagens com o símbolo %.
▸ sempre algarismos
Códigos e identificadores: telefones, CPF, CEP, anos, endereços, numeração legal.
▸ nunca misturar
Num mesmo trecho não se combinam algarismos e palavras para a mesma finalidade.
03 · como se formam
Como se formam os números por extenso.
A construção dos cardinais é muito regular, com poucas formas próprias que vale memorizar.
- De 0 a 15 têm forma própria: zero, um, dois… quinze.
- De 16 a 19 são univerbais: dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove.
- De 20 em diante ligam-se com «e»: vinte e um, quarenta e cinco, noventa e nove.
- As centenas têm forma própria: cem, duzentos, trezentos… novecentos. Concordam em gênero: duzentas pessoas.
- A concordância: um/uma, dois/duas; «um real», «uma casa», «duas casas».
Combinando esses blocos obtém-se qualquer número: «cento e vinte e três» (100 + 23), «dois mil e vinte e quatro» (2000 + 24), «um milhão e duzentos mil». A dificuldade nunca está no cálculo, mas em respeitar o «e», a concordância e a escala.
Vale reparar numa diferença em relação ao espanhol: em português, de 20 em diante a ligação é sempre com «e» dentro da classe —«vinte e um», «trinta e seis»—, enquanto o espanhol separa em «treinta y uno». Outro ponto fino é a concordância das centenas, que mudam de gênero: «duzentos reais», mas «duzentas pessoas»; «trezentos» e «trezentas» seguem a mesma lógica. São detalhes pequenos, mas é onde mais se erra ao escrever por extenso.
04 · cem ou cento
«Cem» ou «cento».
cem
cem · cem mil · cem milhões
Quando é exatamente 100 ou antes de «mil» ou «milhões».
cento
cento e um · cento e cinquenta
Quando vem seguido de outro número, ligado por «e».
É um dos erros mais comuns: escreve-se «cento e vinte», não «cem e vinte», mas «cem mil», não «cento mil». A regra é simples: «cem» vem sozinho ou antes de uma escala maior; «cento», antes de um número que o completa. Um truque para lembrar: se depois vem algo menor que cem, use «cento»; se vem «mil» ou «milhões», use «cem».
05 · o «e»
O «e»: dentro e entre as classes.
O «e» do português é mais complexo que o do espanhol. Dentro de cada classe, liga as partes; entre classes, só aparece em condições específicas. Em resumo: dentro de cada grupo de três dígitos, o «e» liga centena, dezena e unidade; entre os grupos (milhares, milhões), o «e» só surge antes do último grupo quando ele é menor que cem ou um múltiplo exato de cem. Por isso «mil e quinhentos» e «dois mil e vinte» levam «e», mas «mil duzentos e trinta», não.
06 · escala curta
Milhares, milhões e a escala curta.
O português usa a escala curta: cada degrau é mil vezes maior que o anterior. Por isso «um bilhão» é mil milhões (10⁹), igual ao inglês — e diferente do espanhol, onde «un billón» é 10¹². É uma armadilha comum em traduções.
Detalhe de concordância: «milhão», «bilhão» e «trilhão» são substantivos, então pedem «de» antes do nome e formam plural: «um milhão de reais», «dois milhões de reais». «Mil», ao contrário, é invariável e não leva «de»: «dois mil reais». E o «de» cai quando há uma quantia intermediária: «um milhão de reais», mas «um milhão e duzentos mil reais», sem «de», porque o milhão já não está sozinho diante do substantivo.
07 · tabela de referência
Os números do 0 ao 100 por extenso.
Uma tabela de referência com cada número do 0 ao 100 por extenso, gerada com o próprio conversor para ser sempre correta. Serve para conferir num relance a grafia e o «e» de qualquer número dessa faixa. Para valores maiores, use o conversor; abaixo estão também os marcos até o trilhão.
marcos
- 100 cem
- 101 cento e um
- 1 000 mil
- 1 000 000 um milhão
- 1 000 000 000 um bilhão
- 1 000 000 000 000 um trilhão
08 · erros
Seis erros frequentes.
— dez e seis
+ dezesseis
De 16 a 19 escreve-se em uma só palavra: dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove.
— cento vinte e três
+ cento e vinte e três
Falta o «e» entre a centena e a dezena: cento e vinte e três.
— mil e duzentos
+ mil duzentos
Não se usa «e» entre mil e uma centena seguida de mais números; «mil e quinhentos» só quando a centena é exata.
— um bilhão = um milhão de milhões
+ um bilhão = mil milhões (10⁹)
O português usa escala curta: bilhão é 10⁹, ao contrário do billón espanhol (10¹²).
— duzentos pessoas
+ duzentas pessoas
As centenas concordam em gênero: duzentos reais, mas duzentas pessoas.
— um milhão reais
+ um milhão de reais
Milhão, bilhão e trilhão pedem «de» antes do substantivo.
09 · casos especiais
Além dos cardinais.
Os cardinais são a base, mas cada tipo de número tem as suas regras: os ordinais concordam em gênero, as frações usam fracionários, a data e a hora têm a sua fórmula. Estes são os guias e ferramentas para cada caso, todos prontos para resolver o valor na hora e com a grafia correta.
▸ decimais
A parte decimal lê-se por ordem —décimos, centésimos— ou com «vírgula».
Decimais por extenso →
▸ ordinais
Primeiro, segundo, vigésimo: adjetivos com gênero e número.
Números ordinais →
▸ frações
Numerador cardinal e denominador fracionário: três quartos, um onze avos.
Frações por extenso →
▸ datas
Dia, mês em minúscula e ano por extenso: quinze de junho de dois mil e vinte e seis.
Data por extenso →
▸ horas
Duas e meia da tarde, ou quatorze horas e trinta minutos.
Horas por extenso →
▸ porcentagens
«Por cento» em duas palavras: quinze por cento, cem por cento.
Porcentagem por extenso →
▸ romanos
IV, XIX, MMXXVI: o sistema romano, com as suas próprias regras.
Números romanos →
10 · perguntas
Perguntas frequentes.
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Q01
Quando os números se escrevem por extenso e quando com algarismos?
Em geral, escrevem-se por extenso os números que cabem em poucas palavras e os que iniciam uma frase; usam-se algarismos para números grandes, técnicos, datas, códigos e porcentagens com símbolo. O importante é não misturar os dois sistemas para a mesma finalidade num mesmo trecho.
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Q02
«Dezesseis» ou «dez e seis»?
Escreve-se «dezesseis», numa só palavra. De 16 a 19 os números são univerbais: dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove. A grafia separada «dez e seis» é considerada incorreta na norma culta.
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Q03
Quando se usa «cem» e quando «cento»?
Usa-se «cem» quando o valor é exatamente 100 ou antes de «mil» e «milhões» (cem mil, cem milhões). Usa-se «cento» quando vem seguido de outro número: cento e um, cento e cinquenta. É um dos erros mais comuns ao escrever números por extenso.
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Q04
Onde se coloca o «e» nos números?
Dentro de cada classe, o «e» liga a centena à dezena e a dezena à unidade: «cento e vinte e três». Entre classes, o «e» só aparece antes da última quando ela é menor que 100 ou um múltiplo exato de 100: «mil e quinhentos», «dois mil e vinte»; mas «mil duzentos e trinta», sem «e» depois de mil.
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Q05
Quanto é um bilhão em português?
No português brasileiro, um bilhão é mil milhões, ou seja, 10⁹ (um 1 seguido de nove zeros). Isso difere do espanhol, em que «un billón» é 10¹². O português usa a escala curta, a mesma do inglês, então bilhão e billion coincidem.
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Q06
Como concordam os números em gênero?
Um e dois, e as centenas, concordam em gênero: «um real / uma casa», «dois reais / duas casas», «duzentos reais / duzentas pessoas». Milhão, bilhão e trilhão são masculinos e invariáveis nesse sentido, mas pedem «de» antes do substantivo: «um milhão de reais».
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Q07
Como escrevo um número longo por extenso sem errar?
Use o conversor de número por extenso deste site: digite o valor e obtenha o número por extenso na hora, com o «e», a concordância e a escala corretos. É a forma mais rápida de resolver quantias grandes que, por extenso, ocupariam várias palavras.
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Q08
Posso começar uma frase com número em algarismos?
Não é recomendado. No início de uma frase, os números vão por extenso: «Vinte pessoas compareceram», não «20 pessoas compareceram». Se o número for muito longo, convém reescrever a frase para não começar com ele.
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Q09
«Catorze» ou «quatorze»?
As duas formas são corretas; «quatorze» é a preferida no Brasil e «catorze», mais comum em Portugal. O conversor deste site usa «quatorze». O mesmo vale para variações regionais de outras palavras, mas a estrutura do número não muda.
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Q10
«Dezesseis» ou «dezasseis»?
No português brasileiro escreve-se «dezesseis», «dezessete» e «dezenove»; no europeu, «dezasseis», «dezassete» e «dezanove». São apenas variantes regionais da mesma palavra univerbal. O importante, em qualquer variante, é escrever de 16 a 19 numa só palavra, sem separar com «e».
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Q11
Os anos se escrevem por extenso?
Em textos comuns, o ano vai em algarismos e sem ponto: 2026, não 2.026. Por extenso —em documentos solenes ou ao iniciar uma frase— escreve-se «dois mil e vinte e seis», com «e» antes da última parcela. Em datas, o mês vai em minúscula: «quinze de junho de dois mil e vinte e seis».
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Q12
Há uma «RAE» do português?
Não exatamente. O português não tem uma única academia normativa como a RAE espanhola; no Brasil, a Academia Brasileira de Letras e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) orientam a grafia, e o Acordo Ortográfico de 1990 unificou várias regras com Portugal. Para os números por extenso, essas referências e a norma culta convergem nas regras que vimos aqui.
Escreva qualquer número por extenso.
Já conhece as regras. Para resolver um valor concreto —sobretudo se for longo—, deixe a ferramenta aplicar o «e», a concordância e a escala por você.
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